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Pai no nome, no rosto e no sonho: dois anos após acidente da Chape, como está o filho de Tiaguinho

Atacante havia descoberto a paternidade uma semana antes da viagem para Colômbia. Graziele, a mãe, sonha com futuro do pequeno Tiago no futebol

Por GE

29/11/2018 às 08h29 • atualizado em 29/11/2018 às 08h30

No quarto do filho, Grazi mantém uma foto do pai Tiaguinho com a camisa da Chape (Foto: Arquivo Pessoal)

Com as pernas ainda buscando a firmeza dos primeiros passos, Tiago Filho, de um ano e quatro meses, brinca com uma bola vermelha, dessas de plástico, que toda criança em algum momento da vida chuta e descobre se o futebol será sua paixão ou outro caminho o espera. Ele ainda não sabe bem o que fazer com a redonda. Pega na mão, joga para frente e volta a perseguir com as perninhas bambas.

Antes mesmo de vir ao mundo, o pequeno ficou conhecido mundialmente por meio de um vídeo em que sequer aparecia. Nele, seu pai e homônimo, recebia a notícia no corredor de um hotel que a paternidade seria o próximo passo na vida. Os dois não chegaram a se conhecer. Tiaguinho, então atacante da Chapecoense, foi uma das 71 vítimas fatais do acidente com o avião que levava o time à Colômbia e completa dois anos nesta quinta-feira (29).

O filho ainda não tem plena consciência, mas carrega na certidão de nascimento o nome do pai, uma homenagem feita pela mãe Graziele. Nos gostos, ainda prematuros, o garoto já demonstra um interesse semelhante ao do progenitor.

Tiago Filho é alicerce de Graziele para seguir em frente (Foto: Arquivo Pessoal)

– Ele é uma criança maravilhosa. Super carinhoso, divertido, uma criança cheia de luz. O mais incrível disso tudo é que ele é completamente apaixonado por bola. É realmente impressionante ver a paixão que ele tem pela bola, entre um carrinho e uma bola, com certeza ele escolherá a bola – conta a mãe.

COMO O PAI, O FILHO
O rosto, assim como o corpo ainda em formação, dá sinais de que não é apenas o nome que possui ligação com o pai. Os traços do pequeno Tiago lembram (e muito) a fisionomia sempre sorridente e alegre do atacante que tantas felicidades deu ao torcedor verde e branco.

No que depender da mãe, não acabará por aí. O sonho de Grazi é que Tiaguinho, o filho, consiga, assim como o pai, se tornar um jogador profissional. A dor, sentida diariamente na saudade, motiva ainda mais a traçar os planos para o pequeno. O orgulho, outrora sentido pelo marido, se transfere para o filho, com a ternura de quem tem no ninho a força para seguir em frente.

– Eu planejo o mas lindo e brilhante futuro para ele, quero sempre dar o meu melhor para fazer com que ele realize todos os sonhos, seja qual for a carreira que desejar seguir. Mas farei com que ele siga os caminhos do papai, se dedique e se torne um grande jogador, assim como o pai foi. Quero que continue a história do pai e siga esse legado. Com certeza será o orgulho dele de onde ele está.

DO FILHO, A FORÇA PARA CONTINUAR
Dos planos para o filho, a força para seguir a vida. Graziele descobriu que a resiliência para continuar não era apenas por si, mas também por Tiago Filho. O papel imposto e aceito sem hesitar, de ser mãe e pai aos 21 anos, é cumprido à risca na cidade de Bom Jardim, na região serrana do Rio de Janeiro.

Ao mesmo tempo em que resiste à dor da perda, passados dois anos do acidente, também busca no filho motivação para sorrir. Na época, quando recebeu a triste notícia, Graziele estava grávida de um mês e precisou suportar outros oito para renascer junto com o bebê.

– Falar do Tiaguinho me emociona sempre. Sabe aquele sentimento de gratidão? É esse sentimento que eu tenho quando me refiro ao meu filho. Ele foi, é, e sempre será a minha maior força, a maior motivação para seguir em frente. Foi ele que esteve comigo desde o momento em que eu soube da notícia daquele terrível acidente, eu estava grávida de um mês, então passamos por todo aquele desespero juntos, e ele ali dentro do meu ventre, me passando força e coragem para não desistir. Sempre digo que ele nasceu e eu renasci. Ele é a minha maior alegria, uma criança super abençoada, cheia de luz, que encanta todos por onde passa, é o presente mais lindo que eu recebi de Deus e do meu anjo, meu grande amor – conta.

Fonte: https://globoesporte.globo.com/sc/futebol/times/chapecoense/noticia/pai-no-nome-no-rosto-e-no-sonho-dois-anos-apos-acidente-da-chape-como-esta-o-filho-de-tiaguinho.ghtml

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